
~ Tony ~
Acordei na sexta-feira com a minha mãe gritando o meu nome:
- Jane ! Filha, acorde, você vai se atrasar para o colégio !
Não acordava com a minha mãe me chamando à 5 anos. Aprendi cedo a levantar quando o despertador tocasse.
Olhei minha mesinha de cabeceira, onde estava o despertador que eu ganhara de presente da minha tia e um porta-retratos com uma foto minha e do meu pai.
Perdi meu pai com 4 anos de forma brutal e tenho certeza que isso interferiu no meu crescimento. Eu era muito apegada à ele, mais até do que à minha mãe.
Parei aí, pois sabia que se continuasse pensando nele, as lágrimas traiçoeiras acabariam saindo.
Minha mãe sempre soube do quanto eu sentia falta da minha figura paterna e sempre se esforçou ao máximo para que eu não sentisse esse "espaço vago". Ela também sente falta dele, eu sei disso, mas não demonstra. Chloe Morryth sempre foi muito orgulhosa, e nunca gostou de demonstrar fraqueza e vulnerabilidade.
Eu sempre sorria ao pensar em minha mãe. Extremamente carinhosa e alegre, ela nunca me deixou na mão, e eu, também nunca a deixei.
Troquei de roupa rapidamente e corri para o banheiro. Escovei os dentes e lavei o rosto, com a certeza de que chegaria atrasada.
Voltei para o quarto, peguei a mochila e os livros e desci a escada, quase batendo de frente com a minha mãe.
- Jane, que horas foi dormir ontem ? - ela perguntou com as mãos na cintura
- Mãe, juro que não dormi tarde. Eu não sei o que está acontecendo, ando com muito sono ultimamente.
- Hmm, sei... Vá tomar seu café antes que se atrase ainda mais !
Fui até a cozinha e me sentei na cadeira. Comi uma torrada e tomei um gole de suco.
- Tchau, mãe ! - gritei indo para a porta
- Tchau, boa aula ! - disse-me ela.
A escola era perto, então, ia andando todo dia.
Disparei pela rua e, com a correria, nem percebi que tinha deixado a mala aberta.
- Droga - resmunguei me abaixando para pegar os livros.
Fui voltando todo o caminho para pegar o material, mas parei com a sensação de que alguém estava me olhando.
Olhei em volta, mas estava quieto. Ainda era cedo e muitos ainda estavam na cama, a rua estava praticamente deserta.
Observei mais atentamente, prestando atenção em arbustos, postes e outros locais que as pessoas costumas usar para se esconder, até que, finalmente, avistei algo fora do comum: um manto vermelho sangue, largado no chão, como se alguém o tivesse jogado lá.
Sempre fui muito curiosa, então, fui até o manto para olhá-lo mais de perto.
Naquele momento, o colégio estava em segundo plano.
Hesitei ao chegar perto, mas toquei o tecido. Ele era diferente, macio de um modo que eu nunca havia sentido.
Não é seu, pensei comigo mesma quando estava prestes a pegá-lo para mim.
Foi aí que senti alguém atrás de mim.
- Perdeu algo ? - me perguntou o estranho com o mesmo manto de uma cor mais escura.
- Não, desculpe-me - respondi educadamente - Hmm, o senhor poderia me dizer se este manto é seu ?
- Não, não é meu - Ele hesitou - Este manto pertence à você, Jane.
E então, ele tirou o capuz que cobria o rosto. O estranho era lindo de uma forma inumana que eu nunca tinha visto. Sua pele tinha a aparência de macia e delicada. Tinha os traços jovens, então dedusi que tivesse mais ou menos a minha idade.
Fiquei completamente confusa.
- Meu ? - questionei - E como sabe meu nome se eu nem o conheço ?
- Todos do lugar de onde venho sabem quem você é. Eu vim buscá-la.
Me buscar ? Para onde vou ? - pensei
- Sim - disse ele quando eu estavas prestes à perguntar - Vim buscá-la para uma espécie de missão.
- Mas... como... você... ãhn ? - eu estava perdidamente confusa
- Eu tenho um certo... poder. Posso ouvir o que as pessoas estão prestes a falar
- E o que você é, exatamente ?
- Sou uma criatura muito... - ele se interrompeu olhando por cima do meu ombro e se aproximou - Eu explico à você depois. A propósito, me chamo Tony.
Assenti sem dizer nada, totalmente perdida em pensamentos, tentando absorver aquilo que estava acontecendo de uma maneira concreta. Não obtive resultados consideráveis.

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